sexta-feira, 1 de maio de 2009

"O poeta é um fingidor...."

"Deixe-me olhar bem nos seus olhos"

Há quem finja tão completamente que chega a fingir que é um vovôzinho bondoso perdido no mundo. E eu sendo boba toda vida, caí numa pataquada. Com essa minha incurável baixa auto-estima, sempre reclamava ressentida que nunca haviam feito poesias para mim, eis que de repente me vejo musa inspiradora de alguns versos meio que assim "jogados ao vento"- ora eu, ora o meu nariz (sim! em uma outra ocasião fizeram uma poesia para o meu órgão olfativo, mas essa é uma outra história). Não digo que me sinto envaidecida (exceto pela poesia do nariz, que é bem bonitinha!), a palavra certa seria arrependida, ou irritada.

Explico-lhes a bizarra história do vovôzinho.

Em um belo dia ensolarado, muito certa de que os acontecimentos de minha humilde vidinha nada significavam, recebi o seguinte e-mail:

Não faz sentido algum para maioria de vocês, mas representa o 1º lugar da pessoa que lhes escreve em um ranking que mensurava, talvez o maior mico, ou a coisa mais divertida, chocante, surreal que aconteceu no feriado da semana passada, durante a visita de alguns amigos de Ribeirão Preto a minha querida e pacata, para não dizer monótona Anápolis.

Vamos logo à parte de como eu consegui esses 30 pontos. A noite de segunda-feira, que antecedia o feriado, prometia ser só mais uma dentre tantas outras: bebida, comida, piadas, falar mal de algumas pessoas, chamar o garçom de Esvênzio e quem sabe acabar na sinuca. Como era o último dia do pessoal na cidade, estávamos determinados a não dormir até o horário de eles irem para rodoviária (que era tipo umas 6 da manhã). Depois que o garçom derrubou meia garrafa de smirnoff ice na 6ª colocada do ranking, achamos que a diversão ainda não era suficiente. Então desafiei um dos presentes a imitar "o galo" (digo "o" porque diz a lenda que é um hábito antigo dessa pessoa imitar galo por aí, e por aqui! Vide 2º lugar no ranking). Não sei se foi a ausência total de vergonha ou a presença em excesso de álcool no sangue misturada à pressão da galera, mas no meio de um bar lotado, levanta um galo orgulhoso de ser galo e cacareja (galo cacareja né???). O fato mais curioso de todos é que as pessoas no recinto olharam aquilo sem o menor espanto, voltando às suas vidas como se fosse super normal uma pessoal levantar e imitar um galo em um bar.

Enquanto rachávamos o bico de tanto rir do feito corajoso, porém não valorizado, eu noto a presença de uma figura simpática e idosa ao meu lado, que aos gritos (não sei se pra se fazer ouvir, ou por ser surdo mesmo) diz "Só faltava o Seu Cordeiro, nessa mesa bonita e jovem!". E aí que eu fiz a coisa mais burra que eu poderia fazer: fui ser legal com o velho (Bem feito pra mim! Vai mais ser legal com todo mundo, vai!). O Sr. começa dizendo que é ele quem manda no pedaço, que ele tem 84 anos, e é casado só a 54, tinha 7 filhos, 2 netos e se vangloriava de lembrar o nome de todos eles. Diz que é apaixonado na esposa, mas que "ela não gosta muito dele não", palavras dele.

Começa a contar uma história que ninguém entendeu muito bem, de uma srª que era dona de um bar que não tinha banheiro, e ele caridoso que é, resolve leiloar uma vaca para arrecadar fundos para a construção de tal banheiro. E ele dizia "ela era uma mulher bonitona, loirona, gordona" e fazia uns gestos com os braços em volta da barriga simulando a barriga da dona do boteco sem banheiro. O resto da história envolvia um namorado ciumento da loirona, e o nosso bravo velhinho querendo puxar um 38 para ele. Todos nós, rindo muito, fingíamos que acreditávamos e que estávamos muito interessados em suas histórias.

Ele se gaba dizendo que é poeta, que escrevia poesias lindas para a mulher, mas ela as jogava fora. Não satisfeito ele recorria às serenatas, ela odiava, só virava para o outro lado da cama e dormia. Fiquei com pena do Seu Cordeiro, e acho que por deixar escapar alguma compaixão, ele disse que faria uma poesia para mim ali, de improviso.

Não me lembro bem da poesia, mas sei que era do tipo engraçadinha, com riminhas bem feitinhas e tudo. Ele dizia q eu era o molde da perfeição e ressaltava o quanto "os meus olhos brilhavam", e enquanto dizia isso ele colocava toda a sua atenção nos meus "olhos" que ficavam a baixo do meu pescoço, na minha caixa toráxica, bem dentro do meu decote. Quase certeza que ele fez curso de cantada junto com o pedreiro da construção de perto da minha casa que disse que eu "era bem feitinha!" (ponto pra minha auto-estima!).

O encantamento do Seu Cordeiro pela minha cor também foi bem narrado. Nem Hitler tinha tanta adoração assim pelas meninas de pele branquinha. Se ele soubesse que eu traí a raça ariana e que dentro dessa veias aqui corre um sangue para lá de vira-lata, com direito a mix de índio com escravo, ele se decepcionaria. "Das meninas queimadinhas eu não gosto não" ele dizia.

"Decepcionado com você, Joyce!"

Achando que já tinha ganhado a branquinha aqui, ele ainda quis ensinar aos meninos presentes, a receita do seu "sucesso" com as mulheres. Segundo ele o rapaz deveria atender três requisitos básicos: 1) ser inteligente (o que ele julgava ser demais), 2) ser bom de "papeamento" (palavra que deve existir no dicionário dele para designar a boa arte de papear) e 3) ter muito dinheiro (o que ele considerava o mais importante). Acrescentou ainda que o cara não precisa nem ser bom de cama, se o terceiro requisito fosse satisfatório.

O falatório do Seu Cordeiro não tinha mais fim. Ninguém mais achava graça, já tava chato e eu estava amargamente arrependida de ter dado qualquer moral para ele. Então, não sei se percebeu nossas caras de tédio, resolve se despedir e vai embora. Ficamos extremamente felizes com isso! A diversão já tinha sido garantida, eu já tinha sido motivo de piada e voltávamos à nossas conversas de boteco quando eu percebi que ele voltara. Ele se inclina para mim e com os olhos de Gato de Botas do Sherek diz "o que é que um velho bêbado faz quando esqueceu onde estacionou a caminhonete?".


"Fez valer seus 30 pontos!"

Espera aí! Eu tinha entendido certo? Ele queria que eu o ajudasse a achar a caminhonete dele? Ainda queria valer sua teoria que o que importava era ter dinheiro, dizendo quão bonita e nova era sua caminhonete vermelha! Ai, ai, ai!

Ofereci a ele a ajuda dos meninos, que ele instantâneamente recusou e como que por mágica, de repente o seu veículo resolveu aparecer! Ainda passou por nós buzinando todo contente.
A falta de amor da esposa dele começou a fazer todo o sentido do mundo para mim.

Nota mental: Se não for algum de meus avôs, lembrar de restringir-me ao "bom dia" e "tchau" com senhores com mais de 80 anos.

6 comentários:

  1. Bebados sempre são chatos, sempre são velhos e sempre dão em cima de suas amigas ou de você que torna a coisa pior se você for homem como eu, mas te digo que mesmo que não desse trela ele ia lhe dar esses 30 pontos xD

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  2. Aeeeeeeeee Joyce, musa da 3a idade!!! asdgagsdfagshdfahs.... Meu, eu tenho medo de ficar velha, por que acho que também vou ser uma velha chata PACARALEO. E outra, tbem não tenho paciência com velho!!! TENSO!

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  3. dhasiudh
    racho o bico Joyce!!

    "Quando a coisa começa errada, ela vai dar errado até o fim"

    neste caso, começou errado quando um velho de 87 anos se encontrava presente neste bar!

    De apenas bom dia ou tchau para velhinhos, PRINCIPALMENTE se eles estiverem em um bar!!

    Tá loko

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  4. Anapolis fica perto de Penapolis?
    Oo

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  5. bizarrices de botequices... o retorno.
    Conheci um buteco legal ae em anaps city esse feriado, esqueci o nome mas é legal... tem dj gato ao vivo com uma segurança de bolsa rosa, a moçada reunida, um lavajato no fundo e um atendimento digamos, delicado.
    Tem mesas bonitinhas e um monte de carro na porta, uma igreja do outro lado da rua e um tunts tunts nas caixas de som.
    Comi uns espetos e tomei várias cervejas geladas no ponto, saí de lá menos bêbada do que muita gente que ficou mas me diverti até, as companhias eram ótimas.
    Da próxima vez tomara que a gente não se desencontre.
    Abraço.
    p!

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  6. Tô tentando entender por que raios eu não comentei aqui. Deve ter algo a ver com ter escutado o conto ao vivo.

    Mas seu tio ali falando que tá decepcionado... hahahaha!
    Siacabei de rir!

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