sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Formigamento

Sete e vinte e três da manhã. A minha cadeira, meu computador e a minha mesa não me esperavam tão cedo. Em poucos minutos eles despertariam sedentos por sugar até a última gota da minha energia vital e roubar oito horas do meu dia. Recostada sobre a mesa, com a cabeça aninhada entre os meus braços, de olhos fechados, eu me deliciava com todo aquele silêncio e solidão da primeira hora da manhã. Me levantei ao sentir um formigamento no braço direito, causado logicamente, ou por incrível que pareça por uma formiga. Antes que eu até mesmo pensasse em afastá-la, ela seguiu seu caminho, como se eu nem estivesse ali, ou fosse só mais um obstáculo transponível. De repente outra formiga segue a mesma trilha, porém na "contra-mão". Já previa o choque entre elas, entretanto, elas pararam de frente uma para outra e a primeira formiga corou. Não é do meu conhecimento que as formigas fossem capazes de corar. A impressão que eu tinha é de que a luz havia baixado e que uma música suave ganhava volume, vinda de algum lugar que não conseguia descobrir a origem. A segunda formiga estendeu uma das seis patinhas para a primeira formiga e elas começaram a valsar sobre a minha mesa, graciosas, como se deslizassem de patins sobre o gelo. Da penumbra surgiram outros casais formigantes que de repente infestaram, ou melhor dizendo, enfestaram a minha mesa, fazendo coreografias impressionantemente sincronizadas, como um mini musical de Hollywood. A primeira música chegou ao fim para dar lugar a um ritmo latino, levando as pequenas dançarinas ao delírio e enquanto as observava fazendo a dança da cordinha com o fio do mouse, balançando seus ombrinhos frenéticas, consegui enxergar um pequeno cartaz grudado ao porta lápis que dizia:


Desde então, já avisei meu chefe que só chego no trabalho depois das oito. Nada de hora extra.

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