quarta-feira, 31 de março de 2010

Por favor, obrigada!

Dia de frango grelhado. O cheiro forte de comida por todo o refeitório da empresa com certeza vai grudar no cabelo, nas roupas e eu vou lembrar do almoço o dia inteiro, pensava eu distraída enquanto a moça servia meu prato, me desejou bom apetite e ainda perguntou se eu queria doce de leite, mantendo um sorriso de orelha a orelha, como em um comercial de Mc Donald's. Eu horrorizada com a delicadeza, guaguejei um obrigada meio desconfiada, imaginando que ela poderia ter cuspido no meu prato, colocado laxante no doce ou pudesse estar escondendo uma faca, pronta para voar por mim sobre o balcão enlouquecida.

Tá, descontroles a parte, só eu ando vivendo nesse mundo viking? Aconteceram uma série de eventos mal educados nos últimos tempos, que me fez desejar que as profecias apocalípticas se concretizassem e o mundo realmente acabasse em 2012, extinguindo a raça humana da Terra.

Então antes que o próximo meteoro caia fazendo um buraco de proporções quilométricas e uma nuvem de poeira gigante impessa o sol de brilhar matando tudo quanto é ser vivo, prometo controlar a força do meu pensamento e darei meu testemunho:

Cena 1 - Sexta feira passada, 7:15 da manhã, enquanto esperava o ônibus que me levaria para mais um dia de trabalho, uma moça bebendo um refrigerante em copinho descartável, pára ao meu lado e ao terminar joga o pequeno recipiente plástico no chão. Ficamos assistindo àquilo, eu e a lixeira que estava a poucos centímetros dali. Devo ter feito uma cara de exterminadora do futuro ao me deslocar, abaixar, pegar o amontoado de plástico e jogar onde ele deveria ter sido jogado. A moça fez uma expressão de susto, seguida de uma de deboche...como se eu fosse a maior trouxa da galáxia. Porém, já no ônibus ela se sentiu intimidada a sentar no único lugar vago, que era ao meu lado, então passou a viagem em pé, na outra extremidade do veículo, enquanto o capitão planeta deixava o meu corpo lentamente.

Cena 2 - Mesmo dia, final do expediente, 17:40 da tarde, chuva a valer e eu na saga para pegar outro ônibus, dessa vez para Goiânia. Consigo pegar a última poltrona vaga no coletivo lotado, o que eu achei ótimo, já que eu estava cansada, úmida e com uma mochila pesada nas costas. Era só reclinar e acordar só na rodoviária. Não é que entra de última hora uma senhora de idade, carregando um amontoado de sacolas e fica em pé ali do meu lado. Eu achando que tava sendo super gentil, ofereci o meu lugar pra ela, que de primeira recusou e ainda fez uma cara de ofendida. Eu, tonta, insisti imaginando que ela não aguentaria viajar 40 min em pé, e ela acabou aceitando. Enquanto eu desajeitada me colocava de pé tentando ajeitar a mochila nas costas aguardava com um sorriso simpático no rosto pelo obrigado que era certo, mas que não veio. A senhora simplesmente sentou e ficou carrancuda, como se eu não tivesse feito mais do que minha obrigação e ainda a tivesse chamado de velha, sei lá. Resultado: viajei até Teresópolis em pé, ou seja uns 20 min sendo carregada feito porco pelo motorista psicótico.

E há quem queira me convencer de que existe mais bondade que maldade no mundo, mais gentileza que brutalidade, mais compaixão que indiferença. E até me convencem, porque eu talvez seja uma otimista sem remédio, um pouco sem sorte, já que diz a lenda que "ruiva dá azar". Tudo bem, desde que aquele meteoro não caía na minha cabeça...

3 comentários:

  1. o mundo tem jeito sim porque ainda existem "Joyces"

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  2. Olha, concordo com o Anônimo ali. :o)

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  3. Eu tenho tanta vontade de gritar imprompérios pra essa velharada mal agradecida que anda de ônibus.

    Mas, engraçado, eu vejo mais gentileza que grosseria na rua. Será culpa da cor do cabelo? o.O

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