quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Influenciável! E daí?

Nasci no interior de Goiás, no coração do Brasil. O meu estado é conhecido pela proliferação de cantores de música sertaneja e o meu país é reconhecido mundialmente pelo futebol. Embora, geograficamente falando, tudo contribuísse para que esse fosse meu mundo, esse não é o meu mundo. 

Aprendi com a minha família, desde pequenininha, a não praticar esportes, e diz a lenda que a culpa é de um joelho podre que é legado por várias gerações. Eu ainda não recebi essa herança, diga-se de passagem, mas ganhei um bocado de preguiça e faltou disposição. Enfim, contudo, eu não aprendi a gostar de esportes, tão pouco acompanhar jogos pela TV ou torcer religiosamente por um time, eu no máximo assisto ao vôlei, de preferência o masculino, porque eu acho que existem uns jogadores muito "bons" e isso é tudo. Sempre pensei que fosse aburdo as pessoas praticamente chorarem sangue se os seus times de futebol do coração perdessem. Elas sofrem muito e eu nunca pensei que pudesse ser sincero. Afinal de contas o que elas ganham com tudo isso? Não é só um jogo? Os craques do futebol ganham suas pequenas fortunas vencendo ou  não os jogos enquanto os torcedores enfartam nos estádios ou em frente aos televisores. E eu sempre achei que esse negócio de esporte era exercício do espírito competitivo, não é não?

Eu não entendia esse tipo de comportamento até ontem. 

Por uma ironia do destino fui trabalhar em uma grande empresa que patrocina cinco times de futebol. Por tanto, isso involuntariamente começou sim a fazer parte do meu mundo. Até então eu sempre encarei isso como uma planilha de excel, ou seja, faz parte do meu trabalho, é algo com que eu tenho que conviver, mas eu não preciso conhecer profundamente ou se quer gostar. Porém, ontem fui convidada a ir ao jogo do Goiás x Flamengo no Serra Dourada, ganhei um ingresso na área VIP, na torcida do Goiás com direito à um lanche generoso e ótimas companhias que me explicavam com paciência que os jogos no estádio não tinham replay e nem narração, que impedimento nem é tão difícil de entender, e que o cara todo vestido de preto não é de time nenhum é só o árbitro.

Depois de mais de três meses sem chuva, o céu decidiu desabar em água na cidade de Goiânia, tudo para deixar essa minha primeira experiência futibolística mais interessante. Não me importei de estar molhada dos pés a cabeça, nem de estar cansada à beça por conta do dia extenso de trabalho, tudo o que eu sentia era um arrepio na espinha de ver quase quatorze mil pessoas torcendo e cantando em coro, enquanto a chuva fina caia iluminada pelos refletores enormes, tão bonito de se ver que parecia até purpurina. Os vendedores ambulantes, surgindo do nada, gritando "Olha a capa!", como quem grita "olha a barata!", mais como quem assusta que como quem quer vender. Dentro desse mundo que eu nem podia imaginar me vi rodeada de gente velha, de crianças, de mulheres (que às vezes torciam muito mais que os homens), todos torcedores fiéis e apaixonados. 

Eu sofri, eu admito. Sofri porque em determinado momento me vi torcedora do Goiás como se o tivesse sido a vida toda, e o time é ruim para danar, e segundo me explicaram está rebaixado e talzs. Nada disso importou na verdade, fui na intenção de não torcer por ninguém, mas sou goiana né? Além de ser mais lógico que eu torcesse para o Goiás, aquela massa de torcida verde me contagiou de tal forma que eu vibrei como nunca!

O Flamengo fez dois gols no fim das contas, um contra e um nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. Então se deu empate, suponho que a ruiva aqui não deu tanto azar. Gostei muito de ir a um estádio e digo até que iria outras vezes. Acho que tudo bem que eu comece a simpatizar com o esporte, eu vou conseguir sobreviver à essa mudança drástica de opinião.

Torcer acidentalmente para o Goiás e simpatizar com o futebol ainda vai, mas música sertaneja é algo que eu ainda tenho que acostumar. Eu tenho uma reputação musical a zelar, cresci ouvindo mpb, samba, rock, as boas músicas. Daí que tem uma porção de gente do meu convívio que gosta de música sertaneja e acha que essa é a boa música. 

Seria muito preconceito da minha parte dizer que eu abomino, até porque eu não tenho costume de ouvir.  Só que eu acho de verdade que todas as duplas sertanejas são exatamente iguais, as músicas são muito parecidas, tem ritmos grudentos, letras carregadas de clichês românticos e aquele vibrato na voz dos cantores que eu particularmente não gosto. Aí inventaram uma nova modalidade: o sertanejo universitário. Alguém sabe qual é a diferença? Para o público jovem, tudo bem.

Mas olha eu me entregando de novo e sendo influenciada pelo meio, admito que derrubei o meu muro das idéias pré concebidas e até já dancei de rosto coladinho ao som de "chora me liga" e quer saber eu achei tão bom! Pronto falei!

As pessoas que me conhecem há algum tempo, a essa altura do post devem estar um pouco preocupadas. Não precisa! Tá tudo bem, ainda sou eu! Pra eu vestir uma camisa de time e colocar um chapéu de aba na cabeça demora uma eternidade...


 "Cos amigo" sofrendo no Serra Dourada!

6 comentários:

  1. Já posso colocar vc na lista dos torcedores do Goiás do meu twitter? hehe...
    Adorei seu post.
    Bjo

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  2. Olha, uma vez me convenceram [Carlos e Gugu. hahaha] a ir ao JONAS DUARTE ver a Rubra jogar. Te dizer: pura diversão! Lembro que tinha jogadores com nomes de jogadores fodões e eu achei uma puta graça de a Anapolina ter isso. hehehe
    Gente xingando o juiz, cerveja e churrasquinho de gato no intervalo. Aquilo é divertido DEMAIS! =D

    By the way: eu fui não uma,mas DUAS vezes. hehehe

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  3. Joyce, se quiser saber o que é torcida de verdade, você é nossa convidada para ir dia 5/12 no jogo do Corinthians aqui no Serra Dourada.
    É impressionante o que a Fiel faz.
    No último jogo, perdemos feio e a cada gol do Atlético, a Fiel levantava após uns 10 segundos e incentivava o time. E na saída do estádio, aquele pessoal cantava como se tivesse ganhado.
    É bonito demais!!!
    Não importa o placar, o campeonato, ou mesmo se o time está em 1º ou último.
    O Torcedor Corintiano é diferente...
    Celso

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  4. ler seu texto dá vontade de ler até o fim. Parabens. As ideias sao bem construídas e o ritmo dele é muito gostoso. Conheça meu blog e meu myspace.

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  5. Joycia! VOCE FOI AO ESTADIO! Que orgulho!
    Que bom que gostou do Goiás, porque (além de chegar de flamenguista nesse mundo) a 2a divisão e a 3a são as mais divertidas. As disputas são mais verdadeiras e não tem a Globo xaropando ehehehe

    E sertanejo universitário, pra mim, é diferente porque canta que a 'namorada' o deixou em vez de 'mulher'. Só isso. :P

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