sábado, 1 de outubro de 2011

Vestido.


Ela passou toda a vida como a guardiã daquelas palavras certas, para um momento que não sabe se existe no mundo dela. Escolhe-as como quem está predestinada a escrever o melhor poema ou a história mais bonita já contada. Quem pode saber? Tira o seu vestido preferido do armário, parece que há tempos ele não encontra motivos pra sair de lá. Sente como que tomada por super poderes, embora consciente que ela nunca fora super em nada. Não enxerga as barreiras, assim, tudo o que tem a fazer é usar as palavras, o vestido e os super poderes. Ela deixa transbordar do peito o mais nobre sentimento, busca lá no fundo aqueles antigos sonhos, que se quer contou pra alguém. Constrói das intenções, as melhores e espera que seu esforço seja reconhecido. Então deixa que o medo tome conta, ao menor sinal de que o mundo não está de braços abertos para ela. Se sente a pior criatura já existente e coloca o vestido de volta no armário. Muito cansada, dorme em cima dos sonhos, agora mais amarrotados que a roupa que acabara de guardar.

2 comentários:

  1. Tô começando a achar que, apesar da óbvia pieguice, a gente tem que sair mais vezes com os vestidos preferidos. No mínimo, a gente fica bonita.

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  2. Olá,
    Essa é a minha primeira visita ao blog.Vi seu link em outro blog e resolvi entrar para conhecer aqui! Amei e já tô seguindo.
    Te convido a visitar e seguir o meu blog também.
    Aguardo sua visita!
    Bjs!
    Mila

    @camilapalm31
    http://dailyofbooks.blogspot.com/

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