segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Colonização lunática.

Estamos prontos pra ir pra casa nova!
Sem querer que pareça poesia, mas o mundo da lua é para mim, desde criança, um refúgio. Meu esconderijo secreto, o lugar preferido de todos aqueles que em algum momento da vida não sabem para onde ir, ou simplesmente querem se desligar de alguma forma desse planeta. Eu não pago a viagem, nem estadia, aluguel ou pedágio, e essa é a maravilha da coisa toda.

Temo que daqui há uns tempos eu não possa circular tão livremente pelo nosso satélite natural. É que alguém - segundo ouvi dizer - resolveu privatizar a lua e anda vendendo acres de terra (ou de lua) por lá. Também achei que fosse lorota, mas não é que fiquei surpresa de poder confirmar a história, vendo com meus próprios olhos, uma escritura de um terreno lunar, em uma cratera com vista para a Terra. Escritura essa, de uma pessoa do meu convívio, da qual nunca duvidei que fosse capaz de fazer algo tão excêntrico, mas que terá sua identidade preservada porque não me foi permitido tanta exposição.

Diante de risadas e comentários incrédulos, a pessoa em questão me mostrou os documentos e até me permitiu fotografar para provar seu mais novo, que nem é tão novo (de 2008), e lunático investimento. (Mas no caso perdi as fotos, portanto, acreditem na minha palavra!)

Como pessoa investigativa e curiosa que sou, fui na minha fonte favorita de informação: o Google, pesquisar de qual era essa de venderem crateras. Encontrei informações impressionantes sobre o assunto. O grande colonizador da lua, que atende pelo sugestivo nome de The Head Cheese, já vendeu a milhares de pessoas ao redor do mundo, terrenos lunares por uma bagatela de R$57,00 o acre. E o mais interessante é que nunca se escondeu algumas peculiaridades dos imóveis como: a não existência de ar ou água, temperaturas tórridas de 110°C durante o dia e -155°C à noite. Ainda assim, as pessoas acreditam que algum dia será possível e até necessário ligar para o disk mudança para transportar umas coisinhas para a lua.

Fiquei pensando quem poderia ter dado a esse Sr, a permissão para vender tais propriedades? Para manter esse tipo de negócio, ele se baseia no Tratado de Espaço Exterior das Nações Unidas, de 1967. O tratado, elaborado durante a corrida espacial, no auge da Guerra Fria entre EUA e a ex-União Soviética, decretou o espaço "propriedade de toda a Humanidade". No entanto, não fica comprovado qualquer valor legal nesse negócio.

Isso significa então que a Lua continua sendo de todos. Em qualquer fase, em qualquer planeta. Portanto, comprar um pedaço de lá, seria tão somente para assegurar uma propriedade que já é nossa. Comprar uma falsa garantia de poder ter um lugar dos sonhos só para si. Um investimento de luná...digo sonhadores, que acreditam num futuro, que distante ou não, não deveria ser descartado de forma alguma.

Eu ficaria honrada em um dia ser vizinha do pequeno príncipe, mas não pagaria a nenhum cabeça de queijo para obter esse direito. A Lua é dos poetas, dos amantes, dos sonhadores, de todos os que a apreciam e é de graça, pelo menos por enquanto...




2 comentários:

  1. Você mora na Lua, Joycita. Não há discussão a esse respeito. :)

    [mas, por favor, venha visitar ozamigo na Terra? A gente sente a sua falta!]

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  2. Que bom que voltou!!!
    Estava sentindo falta das suas palavrinhas por aqui!!!
    Celso

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