domingo, 19 de fevereiro de 2012

Onde os sonhos são feitos.


Me lembro bem de ouvir falar sobre ele nas aulas de cinema da faculdade, Georges Méliès. Precursor da sétima arte, conhecido como "pai dos efeitos especiais", grande ilusionista e fabricante de sonhos. Fiquei encantada e lembro ter pesquisado bastante sobre ele. Existem vários filmes dele no youtube que conseguem ilustrar bem o que eu quero dizer. Esse francês, produtor e por vezes ator de mais de 500 filmes, conseguiu captar a essência do cinema. Trouxe para os olhos de todo o mundo, mais do que os irmãos Lumière poderiam imaginar quando inventaram o cinematógrafo. Com técnicas duplas de exposição e o efeito que ele chamou de stop-action, fizeram com que as pessoas compartilhassem com esse grande cinegrafista, uma infinidade de sonhos malucos, viagens à Lua e a mundos inimagináveis. 



E não é que para a minha surpresa, na tentativa de fugir um pouco de toda a alegria de um belo feriado de carnaval, eu fui assistir à um filme no cinema, de forma tão despretensiosa, e fiquei absolutamente encantada por algumas razões que vou lhes explicar. Primeiro porque tem uma fotografia linda, depois porque a história se passa em Paris, especificamente em uma estação de trem da cidade e além de contar um pouco da história desse francês fantástico, o Méliès, o filme se mostrou muito profundo e falou comigo de um jeito que eu não esperava.

O filme, produção de Martin Scorcese, intitulado a Invenção de Hugo Cabret conta a história de um órfão que vive na estação de trem cuidando da manutenção dos relógios. O enredo é um mistério que envolve uma máquina que o pai achou em vida, descobertas interiores e a sétima arte. Os personagens são tão singulares e ao mesmo tempo tão complexos, o clima parisiense e a trilha sonora compõe uma atmosfera envolvente e que me chamem de louca, mas o filme falou comigo o tempo todo.


Há uma parte do filme em que a amiga de Hugo, Isabelle, questiona sobre o propósito das pessoas no mundo, então o garoto fez uso de uma metáfora que eu achei fantástica. Ele diz que imagina o mundo como uma grande máquina, cheia de engrenagens e peças, sendo que não existe nenhuma delas sobrando. Todas são necessárias para o perfeito funcionamento dessa "máquina". Assim, todas as pessoas são parte fundamental do funcionamento perfeito da vida, mesmo que algumas precisem ser "concertadas", cada uma está em seu lugar e é essencial.

Eu que ando cheia de indagações sobre o meu propósito no mundo, se não caiu como uma luva como resposta, veio iluminar um pouco meu caminho. Daqui a 40 dias mais ou menos, estou indo para a França, mas calma, é a passeio, devo voltar. Vou conhecer a torre eiffel, o arco do triunfo, a champs elysées, museu do louvre , rio senna, com certeza a estação do Hugo Cabret e quem sabe saber mais sobre Méliès. Se não é lá em Paris que os sonhos são feitos, cenário de tantas personalidades famosas, descobertas e invenções revolucionárias, eu sei que é lá que moram alguns deles, e conhecendo o sonho dos outros quem sabe eu não encontre o caminho dos meus próprios. 

A viagem em si não deixa de ser a realização de um sonho. Espero assim que voltar, um tanto quanto insuportável talvez, eu possa dizer que tenha de certa forma encontrado respostas, ou não, só tenha tido um pouco de aventura me perdendo nas ruas de paris e me envergonhado bastante com o meu francês de meia tigela. Então..Au revoir! Baisers!

tonight tonight

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Você acaba de ganhar um vale-pitaco!